Bioimpedância (BIA) versos Dexa: qual é o melhor?
21 de março de 2025

A AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL é extremamente importante pois o IMC não avalia adequadamente o MASSA MUSCULAR e o PERCENTUAL DE GORDURA CORP
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A análise da impedância bioelétrica (BIA) é um método de quantificação da composição corporal que consiste na passagem de uma corrente elétrica muito leve pelo corpo.
O exame é baseado no princípio que a impedância ou resistência a uma corrente elétrica está relacionada ao volume e comprimento do condutor, no caso, o corpo humano. Hoffler demonstrou que a quantidade de água corporal é diretamente proporcional ao volume e comprimento do corpo e inversamente relacionada `a resistência elétrica , em seres humanos. Deste modo, pode-se predizer o conteúdo de água corporal, da massa livre de gordura e considerando o conteúdo mineral uma constante relacionada à altura, pode-se inferir o percentual de gordura.
A impedância pode ser calculada medindo a corrente e a voltagem segundo a Lei de Ohm (V=RxI). Uma vez que a água é considerada como o único componente do nosso corpo com condutividade elétrica, quando a corrente passa ao longo do corpo, a impedância da água pode ser medida. Com este valor de impedância, o volume total de água do corpo é calculado seguindo fórmulas e algoritmos adequados, conduzindo, por sua vez, ao cálculo da massa magra (músculos e ossos) e da massa gorda (gordura corporal).
O resultado de impedância obtido possibilita o cálculo de volume exato que há de água no organismo, sendo assim computadas com exatidão a quantidade de massa magra e gorda contida no corpo. É importante ressaltar que quanto maior for o percentual de gordura do indivíduo, maior será a complicação para a corrente elétrica atravessar o corpo.
A utilização do método de densitometria por dupla emissão de raios-X (DEXA) na avaliação da composição corporal, permite a medida tanto da massa óssea quanto do conteúdo corporal de gordura e massa magra. A confirmação da excelente acurácia e do pequeno erro de precisão do exame, através de estudos comparativos com a análise química da carcaça de animais, tornou-o referência para o estudo de composição corporal em seres humanos.
A densitometria por DEXA do corpo inteiro é o único método que avalia diretamente todos os compartimentos corporais (massa óssea, massa muscular e água, massa gordurosa), sem inferir dados a partir da medida de apenas um compartimento. No exame da composição corporal por DEXA , a água corporal está incorporada ao compartimento de massa magra (músculos), não afetando a medida do conteúdo de gordura ou de tecido ósseo.
Os demais métodos não-invasivos para avaliação da composição corporal (análise da ativação de nêutrons, submersão na água, água marcada, potássio corporal total, etc) requerem a realização de mais de um destes exames para complementação de dados, pois avaliam apenas um compartimento corporal, inferindo os demais. Além disso são trabalhosos, caros e não estão disponíveis na prática clínica, ficando restritos aos laboratórios de pesquisa.
Existem inúmeras aplicações clínicas do estudo da composição corporal, particularmente na Medicina Esportiva, Obesidade, Anorexia, reabilitação motora de doenças neuro-musculares e em avaliações nutricionais. Outras aplicações incluem a monitorização das alterações de massa magra e de gordura esperadas nos pacientes em uso de hormônio de crescimento, corticosteróides, esteróides sexuais e nos transplantados em uso de imunosupressores.
O exame, por ser não-invasivo, é muito simples para o paciente, não requer nenhum preparo e tem duração de 10-15min . A radiação é extremamente baixa, semelhante à radiação ambiental que recebemos num dia de sol, podendo ser repetido quantas vezes for necessário. O exame é particularmente útil em crianças pela praticidade e fornece uma ótima avaliação da aquisição de massa óssea.
Os coeficientes de variação ( CV% ) dos parâmetros avaliados na composição corporal são comparáveis aos obtidos nos exames de densitometria da coluna lombar e fêmur, em torno de 1 a 2%, oferecendo boa reprodutibilidade de resultados. Apenas a massa de gordura apresenta um CV% um pouco mais elevado, em torno de 3-4%, provavelmente relacionado a heterogeneidade dos tecidos moles em pacientes obesos.
Este conteúdo é parte do compromisso da Clínica Revitalize em traduzir ciência em prática clínica acessível, sem perder rigor ou profundidade.
