Desvendando o NO2
09 de maio de 2023

Desmistifique estes suplementos, entenda as vantagens e desvende os mitos que cercam estes produtos.O artigo está divido em duas partes, nessa primei
Desmistifique estes suplementos, entenda as vantagens e desvende os mitos que cercam estes produtos.
O artigo está divido em duas partes, nessa primeira edição você confere as definições sobre o suplemento e sua ação, na próxima edição vamos aprender a montar uma estratégia de suplementação com esse suplemento.
NO, NO2 e Óxido Nitroso Este subtítulo pode parecer estranho, mas há muita confusão quanto aos “NO”s por aí. Esclarecendo essas siglas:
Resultado da união de um átomo de oxigênio e um de nitrogênio, o NO em temperatura ambiente, é um gás incolor e inodoro. Composto altamente reativo, se oxida com facilidade no ar e se converte rapidamente em dióxido de nitrogênio, e eventualmente em ozônio. É produzido naturalmente na atmosfera, e também ocorre nos motores de carros. Porém, nosso interesse não é na sua forma livre no ar, mas sim na forma que é produzida no próprio organismo de animais e plantas de todos os níveis da escala evolutiva.
Por ser uma molécula muito pequena e altamente reativa, ela se difunde rapidamente por todos os tecidos do organismo, propriedade que o torna um importante sinalizador, e uma molécula biologicamente ativa e antiga, uma vez que desde os primeiros seres vivos o NO ativava algumas funções celulares importantes. Pelo fato de ser produzido em uma célula e estimular uma resposta em outra, ele pode ser considerado um mediador químico com uma ação semelhante a dos hormônios. Porém, o NO atua diretamente na estrutura básica de proteínas, enzimas e do próprio DNA e RNA celular, o que altera todo o metabolismo do tecido estimulado. Por agir no nível mais profundo do metabolismo, o NO é um dos compostos mais estudados nos últimos 20 anos, e a indústria de suplementos ao descobrir o composto recentemente, tem usado à exaustão o seu nome e importância biológica.
Assim, a primeira coisa a se saber sobre os “suplementos NO” é que eles não possuem ÓXIDO NÍTRICO. Mas então o que tem nesses potes com um NO estampado no rótulo? Possuem precursores de NO! Praticamente toda célula do organismo consegue produzir NO e sofre a influência do mesmo. As principais células produtoras de NO estão no endotélio dos vasos sanguíneos, nos macrófagos e em um grupo específico de neurônios do cérebro.
A produção do NO se dá pela junção do aminoácido arginina com oxigênio, mediado pela enzima óxido nítrico sintetase (ONS). Quando se possui uma concentração maior de arginina no plasma sanguíneo, a síntese de NO aumenta em todos os tecidos, gerando assim um aumento indireto na concentração de óxido nítrico presente no organismo. É desta característica que os suplementos NO se utilizam para terem efeito sobre a performance do indivíduo. Assim, esses “Suplementos NO” são, na realidade, à base de arginina, geralmente associados a outros compostos que auxiliam na síntese de NO, no transporte da arginina ou outras funções que potencializam a ação do suplemento. Por isso nos concentraremos na arginina e no seu “metabólito de luxo”, que é o próprio NO.
As células do endotélio dos vasos sanguíneos são grandes produtoras de NO e altamente sensíveis ao óxido nítrico. Ao atingir a musculatura lisa que existe na parede dos vasos sanguíneos, estes se relaxam aumentando o fluxo de sangue, e resultando uma melhor oxigenação dos tecidos, maior aporte de nutrientes, mais pump na musculatura, além de veias mais salientes em indivíduos com pouca gordura subcutânea. Além disso, o NO possui diversas outras funções. Ele aumenta a sensibilidade das células musculares a fatores de hipertrofia como o NFACT-2 (fator de crescimento provido da arginina) e inclusive aos hormônios esteroides.
Também possui importante ação na formação e regeneração nervosa, além de aumentar a atividade de neurotransmissores. Apesar de ser uma molécula multifuncional a principal atividade do NO como suplemento é aumentar o fluxo de sangue. Muitos atletas utilizam o NO com o intuito de vascularizar. Isto funciona, não somente por deixar as veias mais cheias por um relaxamento arterial, mas também devido à função de neovascularização. Aicher et al (2003) em seu artigo publicado na Nature descreveu a influencia da enzima ONS no processo de neovascularização, e estabeleceu a necessidade da expressão de ONS para que novas veias e artérias fossem formadas, desde então diversos estudos demonstraram in vitro e in vivo que a expressão do Fator de Crescimento Endotelial Vascular (FCEV) é não somente estimulado, mas DEPENDENTE da presença de NO.
A suplementação com precursores de NO, tais como a arginina, aumentam a taxa de expressão de FCEV e aceleram a angiogenese (geração de vasos sanguíneos) em todas as espécies animais estudadas. Esta sensibilidade ao NO é um dos fatores que fazem com que um indivíduo facilmente tenha veias aparentes, enquanto que outros indivíduos têm dificuldade em expressar vasos calibrosos e túrgidos. A angiogenese é dependente do NO, mas não é ativada por ele. Existem diversos fatores que desencadeiam a nova formação de vasos sanguíneos, o principal é a Prostaglandina E (PGE) – hormônio abandonado e pouco conhecido pelos estudiosos da musculação. Mas, é um hormônio de resposta imediata e direta ao treinamento com pesos. Ou seja, com bastante NO na circulação o indivíduo treina, libera PGE e novos vasos sanguíneos se formam para alimentar a musculatura que necessita de mais nutrientes.
Uma questão importante é quanto à atividade seletiva do NO. Por ser altamente lipossolúvel, ele possui uma propriedade interessantíssima, o efeito "emagrecedor”. Quando se ingere arginina, produz-se NO, que estimula os vasos sanguíneos a se dilatarem. Assim, ele vai estimular o fluxo sanguíneo do tecido adiposo, e então o metabolismo da gordura acelera, facilitando sua mobilização. Um dos motivos de ser tão difícil perder gordura é que o tecido adiposo tem vascularização deficiente e é de baixo metabolismo.
Com o NO se consegue aumentar esse metabolismo, excelente motivo para estar na suplementação para definição e pre-contest. Ultrapassando a barreira hematoencefálica, ele se desloca rapidamente pelo sistema nervoso central (SNC), que é um meio riquíssimo de lipídeos, especialmente na bainha de mielina dos neurônios. Estudos como de Rettori et al (1994) e Garthwaite & Bolton (1995) demonstraram uma relação clara entre a expressão de NO no SNC e a produção de GH, GnRH, LH , FSH. O fato mais contundente é a relação direta entre a produção de NO e a expressão de GH, descrita em diversos estudos da década de 90 e que ainda gera publicações importantes. Fato é que, quanto maior a atividade das ONS e quanto mais NO existe no cérebro, mais GH é produzido, aumentando a amplitude e frequência dos picos de produção.
Este conteúdo é parte do compromisso da Clínica Revitalize em traduzir ciência em prática clínica acessível, sem perder rigor ou profundidade.
