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Menopausa e doenças cardiovasculares

17 de dezembro de 2021

Menopausa e doenças cardiovasculares

Dados do Ministério da Saúde mostram que o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC) são as principais causas de morte em mulheres com mais de 5

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Associação Brasileira do Climatério (SOBRAC), em parceria com outras sociedades médicas, se uniram para elaborar a 1ª Diretriz Brasileira sobre a Prevenção de Doenças Cardiovasculares em Mulheres Climatéricas e a Influência da Terapia de Reposição Hormonal. O lançamento comemora o Dia Mundial da Menopausa, em 18 de outubro.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 2030, mais de 1 bilhão de mulheres estarão na menopausa. Somente no Brasil, são mais de 13,5 milhões de mulheres nesta fase.

A diretriz apresenta as atuais recomendações para a prevenção dos fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares que as mulheres apresentam ao passar dos 50 anos, além de abordar a influência da terapia hormonal no âmbito cardiovascular. O documento foi produzido com base na análise de mais de 574 documentos científicos nacionais e internacionais, publicados pela comunidade médica e científica entre 1990 e 2007.

Controlar a hipertensão arterial, o diabetes e o colesterol, abandonar o cigarro e praticar atividade física regularmente são recomendações que o documento traz. Além destes conselhos, um cardápio equilibrado e rico em frutas, verduras e legumes, faz parte da lista.

O trabalho reconhece também que, diferentemente do que ainda preocupava alguns especialistas, a terapia de reposição hormonal não aumenta o risco de infarto do miocárdio e pode trazer benefícios à mulher , afirma o ginecologista César Eduardo Fernandes, professor da Faculdade de Medicina do ABC, coordenador da diretriz e presidente do conselho científico da SOBRAC.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC) são as principais causas de morte em mulheres com mais de 50 anos, no Brasil. A redução hormonal, característica da menopausa, faz com que a mulher perca a proteção estrogênica, principal hormônio feminino que ajuda na proteção das artérias.

Somente 10% das mulheres controlam os fatores de risco cardiovascular. A maioria desconhece os fatores ou não os controlam da forma correta , alerta o cardiologista Otávio Gebara, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da diretriz.

A terapia hormonal tem indicações bastante definidas e aceitas consensualmente na literatura médica, como alternativa para o alívio dos sintomas do climatério.

O tratamento não deve ser recomendado com a finalidade exclusiva de redução do risco cardiovascular, no entanto, estudos recentes demonstram que terapias com baixa dose e hormônios diferenciados (bioidênticos) podem trazer benefícios cardiovasculares.

Principais intervenções no estilo de vida para controlar os fatores de risco

Tabagismo: abandonar o cigarro e, se necessário, usar terapia farmacológica ou reposição temporária de nicotina para atingir esse objetivo.

Atividade física: realizar, pelo menos, 30 minutos de atividade física com intensidade moderada, de 3 a 6 dias por semana.

Este conteúdo é parte do compromisso da Clínica Revitalize em traduzir ciência em prática clínica acessível, sem perder rigor ou profundidade.