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MIRTILO E BERRYS - FRUTOS MILAGROSOS!

22 de abril de 2013

MIRTILO E BERRYS - FRUTOS MILAGROSOS!

O mirtilo ou arando é um fruto organoléptico com excelentes aspectos nutricionais e funcionais, visto que apresenta níveis elevados de polifenóis comparativamente com a maioria dos frutos e vegeta

O mirtilo ou arando é um fruto organoléptico com excelentes aspectos nutricionais e funcionais, visto que apresenta níveis elevados de polifenóis comparativamente com a maioria dos frutos e vegetais comercializados. O mirtilo pode ser encontrado e consumido fresco ou noutras formas processadas, como sumos, iogurtes, geleias, compotas, entre outros (Yang et al ., 2010; Del Rio et al ., 2010).

O mirtilo é um fruto silvestre do género Vaccinium e da família Ericaceae (Fernald, 1950) que tem sido alvo de muita atenção devido ao papel positivo na saúde humana e na prevenção de certas patologias. Esses efeitos protectores têm sido genericamente atribuídos à ampla gama de polifenóis presentes no fruto, que são responsáveis pela elevada capacidade de eliminação de radicais livres. Ao mirtilo são atribuídas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias (Karlsen et al ., 2007; Brownmiller et al ., 2008).

Têm sido descritas diversas propriedades benéficas associadas aos mirtilos, nomeadamente no tratamento e prevenção de desordens do trato urinário, de patologias cardiovasculares, da cárie dentária, de úlceras gástricas e do cancro (Burger et al ., 2000; Stothers, 2002; Arts & Hollman, 2005; Bodet et al ., 2008). São também descritas propriedades anti-proliferativas, anti-cancerígenas, antibacterianas e antivirais (Nijveldt et al ., 2001; Ferguson et al ., 2004; Weiss et al ., 2005).

Frutos silvestres como o mirtilo ( Vaccinium ), amora silvestre ( Rubus sp. ), groselha preta ( Ribes nigrum ) e vermelha ( Ribes uva-crispa ), uva ( Vitis vinífera ), framboesa vermelha ( Rubus idaeus ) e preta ( Rubus occidentalis ), morango ( Fragaria Ananassa ), romã ( Punica granatum ) e mangostão ( Garcinia mangostana ) são uma fonte particularmente rica em antioxidantes (Seeram et al ., 2006; Seeram, 2008a; Szajdek & Borowska, 2008). Estes são conhecidos como antioxidantes naturais e devido à sua elevada concentração e diversidade qualitativa nos frutos vermelhos, são cada vez mais referidos como alimentos funcionais naturais (Szajdek & Borowska, 2008).

O mirtilo é um fruto silvestre disponível num grande número de variedades, descendentes de espécies e subespécies da família da Ericaceae e do género Vaccinium (Fernald, 1950).

Na figura 1 está esquematizada a classificação científica da família da Ericaceae . Todas as espécies indicadas são arbustos que dão origem ao fruto mirtilo, estando estas descritas na tabela 1. As diferentes espécies distinguem-se essencialmente com base nas características do arbusto e só em alguns casos através dos atributos da baga.

O mirtilo e seus produtos são conhecidos pela sua elevada concentração de polifenóis totais (Vinson et al ., 2008). Mais especificamente, estes são ricos em flavonóides, como as antocianinas, os flavonóis e os flavan-3-óis ou catequinas; taninos condensados (proantocianidinas, PAC) e hidrolisáveis (elagitaninos e galotaninos); e ácidos fenólicos (hidroxibenzóico e hidroxicinâmico e seus derivados) (Neto, 2007; Ruel & Couillard, 2007).

As antocianinas são geralmente encontradas em frutos de baga vermelha, roxa ou azul. As suas concentrações nos alimentos tendem a aumentar à medida que o fruto amadurece e em resposta a alguns factores climáticos. As antocianinas consistem numa molécula de antocianidina ligada a uma ou mais unidades de açúcar. A glicosilação de antocianidinas ocorre preferencialmente na posição C3. As principais antocianinas presentes nos mirtilos são galactosídeos e arabinoses de cianidina e peonidina (Robards & Antolovich, 1997; Nijveldt et al ., 2001).

Os flavonóis são encontrados em abundância em frutos derivados da família Ericaceae , tais como o mirtilo, existindo maioritariamente na pele destes frutos (Robards & Antolovich, 1997).

Os principais tipos de flavonóis são a isoramnetina, quenferol, miricetina e quercetina. Todos eles são caracterizados por serem isentos de qualquer substituição na posição C3 e, para além disso, são famosos pela sua estrutura planar devida à dupla ligação presente no anel aromático central. Os flavonóis são frequentemente encontrados na natureza como derivados acilados, envolvendo ligações entre os ácidos alifáticos e aromáticos e hidróxidos de açúcar. Os flavonóis glicosilados predominantes em frutas são os 3-O monoglicosídeos e ocorrem pela seguinte ordem de preferência de açúcares: glucose> galactose> ramnose> ácido glucurônico (Côté et al ., 2010).

Os flavanóis ou catequinas são importantes constituintes dos frutos e a sua presença tem sido relatada no mirtilo. As catequinas partilham a mesma estrutura molecular dos flavonóis, mas não possuem o grupo carbonilo C4 (Côté et al ., 2010).

Através de reações catalisadas pela luz, calor e oxigénio, os flavanois tendem a combinar com os ésteres do ácido gálico e elágico para formar compostos como elagitaninos e galotaninos (Robards & Antolovich, 1997).

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