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LIPOPROTEINA A (LPA) - Um importante marcador de risco cardiovascular

A partícula de lipoproteína (a) apresenta estrutura semelhante à da LDL (colesterol ruim), diferenciando-se pela presença da apolipoproteína (a) ligada por uma ponte dissulfeto à apolipoproteína B. Sua síntese ocorre no fígado e sua concentração plasmática varia de < 1 mg a > 1.000 mg/dL, podendo ser dosada de rotina em laboratório clínico por método baseado em anticorpos monoclonais.

Acima de 20 a 30 mg/dL o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular aumenta em cerca de DUAS VEZES, o que não é válido para os afrodescendentes, que já apresentam normalmente níveis mais altos dessa lipoproteína, do que caucasianos e orientais. Entretanto, o risco para indivíduos negros também deve ser levado em conta.

Gênero e idade exercem pouca influência na concentração de lipoproteína (a).

A homologia com o plasminogênio (enzima importante para degradar trombos no sangue), que interfere na cascata fibrinolítica, pode ser um mecanismo da aterogenicidade da lipoproteína (a). Entretanto, a deposição direta na parede da artéria também é um dos mecanismos possíveis, sendo a lipoproteína (a) mais oxidável do que a LDL.

De forma geral estudos prospectivos confirmam a lipoproteína (a) como fator predisponente à aterosclerose. O uso de estatinas não interfere no nível da lipoproteína (a), diferentemente de diversos suplementos como a NIACINA (VITAMINA B3), Coenzima Q10 e o medicamento ezetimiba, que promovem sua diminuição, embora essa última dependa de confirmação. Não está demonstrado que a redução de lipoproteína (a) resulte em diminuição de risco de doença arterial coronária. Diante de concentrações mais elevadas de lipoproteína (a) e na falta de medicações mais efetivas e de boa tolerabilidade, deve-se, pelo menos, procurar controlar, de forma mais rigorosa, os outros fatores de risco de doença arterial coronária.


illustracao_lipoproteina(a)


Qual é o seu papel na doença aterosclerótica?

Além de partilhar o risco aterogênico das LDL, o fato de a Lp(a) também conter apo(a) confere-lhe, ainda, maior potencial patogênico. As suas principais propriedades que contribuem para este potencial são:

  • Maior susceptibilidade à oxidação de fosfolípidos, que torna a MOLÉCULA INFLAMATÓRIA.
  • Grande capacidade de ligação ao endotélio (revestimento interno dos vasos sanguíneos), contribuindo para a disfunção e reatividade do mesmo.
  • Aumento da expressão de moléculas de adesão e citoquinas inflamatórias.
  • Promoção da fagocitose por macrófagos, aumentando o conteúdo de lípidos intracelulares e formando as “foam cells”, fundamentais no processo de aterosclerose.
  • Inibição da ativação do plasminogênio, devido à sua semelhança molecular, o que interfere com o sistema fibrinolítico aumentando na chance de trombose arterial.

 

Quais são os valores “normais” da Lp(a)?

Como já foi referido, existe uma grande variabilidade entre indivíduos para este marcador específico. Valores inferiores a 30 mg/dL (ou 75 nmol/L se for medido o número de partículas, ao invés da concentração) são considerados normais.
Um em cada cinco indivíduos tem concentrações de Lp(a) acima de 50 mg/dL (percentil 80) e um em cada quatro tem níveis superiores a 30 mg/dL (percentil 75). Idealmente devido os riscos inerentes ficarmos no percentil 25, ou seja menor nível possível.


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